sexta-feira, 31 de julho de 2009

Qualquer dia, não vamos ter reformas para as quais trabalhámos...

Boas

Uma das coisas que tomamos por garantido é que depois duma vida de trabalho, teremos a nossa pensãozinha para a qual labutámos anos a fio, anónimas vértebras da sociedade portuguesa, da espinha dorsal que é o Estado.

Alguns vão ter pensões acima dos 1200 aéreos, outros recebem mais.

Ora, estes últimos dias têm sido maus para a Economia. Com o crash das bolsas, o investimento quase nulo e o retraimento do poder de compra, emperraram a sociedade actual.

Certo que sempre disse que a bolsa americana nunca teve controlo. Nem depois da Enron aprenderam, e vários outros escândalos.
Aliás, mudar para quê? Tadito do presidente da GM vai receber tão pouquito e foi um dos grandes contribuintes para a crise com a pouca visão do sector automóvel, certo?

Há coisa de 2 anos, antes desta crise, decidi-me a investir um pouco no meu futuro. Um PPR.

Algo que foi estranho fazer, porque não me dou conta dos anos que passam. Mas olho para o BI e ele não mente. A menos que pague para ter um que minta.

Faz bem ao ego, mas uma radiografia ao pulso confirma a sina, lol.

Já nessa altura achava que havia um envelhecer da população, pouca natalidade e custos com criminosos a subir em flecha. Sim, porque o crime disparou e quero lá saber o que diz o Ministro Rui Pereira! Andamos a pagar para sustentar criminosos, pura e simplesmente isto!

Continuando, fiz o PPR. Custa-me, mas sempre me dá algum conforto. Porque li os sinais. E a minha mágoa é não poder fazer um para a minha mana. Porque são tempos cinzentos que se avizinham...

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Fernando Ribeiro Mendes, Professor do ISEG-UTL

A população portuguesa vive hoje quase dez anos mais do que há três décadas. No entanto, a esperança de vida saudável tem diminuído nos últimos dez anos.

O duplo envelhecimento demográfico acelerou, entretanto: o rácio de dependência dos idosos em Portugal vai aumentar dos 27%, previstos para 2010, para os 53% em 2050, acima da média da UE (26% e 50%, respectivamente).

As consequências desta evolução são especialmente importantes no sector da protecção social.

Os gastos públicos com cuidados de saúde rondam os 7% do PIB, podendo crescer para 9% até 2050. Aos cuidados continuados destinava-se, em 2005, apenas 0,2% do PIB (só a Roménia e Chipre registavam taxa menor na UE). Mas, até 2050 pode passar de 1%.

Os gastos públicos com pensões atingiram já 12% do PIB em 2007. A despesa com pensões poderá atingir os 14% até 2050.

À população activa exige-se, por isso, um esforço muito grande, nos próximos anos, para preservar o estado social alcançado.

As taxas de actividade de homens e mulheres situam-se acima das taxas médias de emprego da EU, registando valores estáveis entre 2004 e 2007 (68%). Não há, pois, margem para aumentar significativamente a proporção dos que criam a riqueza nacional.

Ainda antes da recessão actual, o desemprego duplicara, chegando aos 8% em 2007 e afectando mais as mulheres (10%) dos que os homens (7%). Os jovens (17%) são os mais expostos, com níveis que superam a média da UE. Também o desemprego de longa duração estava a aumentar (4% em 2007), situando-se acima da média da UE.

Sabemos bem como o aperfeiçoamento da qualificação é primordial para melhorar os resultados da economia, ganhando em qualidade o que escasseia em quantidade de força de trabalho. Ora, o abandono escolar precoce (36,3% em 2007) e o sucesso escolar (54,3%) estão muito aquém das metas da UE. E os efeitos das alterações que se desencadearam recentemente no sistema de ensino demorarão anos a surtir efeito, mesmo que tomemos como boas as expectativas anunciadas...

Acresce o facto de que a actividade económica portuguesa cresceu a um ritmo excessivamente moderado nos últimos anos, com o acréscimo médio anual do PIB a alcançar apenas os 2% em 2007. Após a recessão, entretanto ocorrida, que ritmo podemos esperar com realismo, ao entrarmos na tão aguardada recuperação?

No plano da justiça social, pese embora algumas melhorias, os níveis de pobreza e desigualdades na distribuição do rendimento constituem problemas estruturais graves. Portugal regista um dos graus mais elevados de desigualdade na distribuição do rendimento na UE e os níveis de pobreza (16% para o conjunto da população em 2006) são também motivo de grande preocupação. Estudos recentes mostram que 14% das famílias portuguesas (contra 10% na EU15) manifestam inadequação dos meios disponíveis face às necessidades de consumo.

As nuvens que se acumularam no nosso horizonte económico são, pois, espessas e carregadas. Com uma população envelhecida e pouco qualificada, pelo menos nos anos mais próximos, os meios para as desanuviar parecem escassos. Aos que se propõem governar-nos na próxima legislatura, exige-se, assim, uma grande clareza estratégica nas suas propostas e o máximo rigor na definição de objectivos. Sem isso, a vitória que possam alcançar será de Pirro, e a imprescindível mobilização dos cidadãos para a batalha do desenvolvimento resultará frustrada.

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in Expresso

Esta crise só não nos afectou mais, porque este Governo tomou medidas duras, muito duras, nos 2 anos anteriores. Saibam dar valor porque tendo em conta o que se passou noutras bandas, a gente mesmo assim safou-se bem.

Mas não se fiem no futuro...ele vai ser cada vez mais cinzento...

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