E assim, escrevo.
Prostrado, sem relevo.
Solto palavras em vão,
trazidas pela recordação.
De belos dias vividos,
de belas tardes passadas,
de belas noites amadas,
de belas manhãs partilhadas.
A meio do meu presente outono,
cabelos crescentes brancos da vida,
subitamente conta me dou,
que nada eu tenho, que nada eu sou.
Apetece-me voar.
Para onde ninguém me possa encontrar.
Onde todas as mágoas possa chorar,
onde possa finalmente descansar.
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