
Boas
Normalmente em qualquer acidente há uma causa, com consequências, por vezes mortais.
Ou numa construção que desaba, uma causa tem consequências estruturais que podem levar ao pior.
Isto vem a propósito de mais uma situação de gajo-armado-em-bom-demais-para-não-parar-numa-operação-stop.
Toda a gente se queixa na tv e jornais da consequência, um gajo qualquer que quinou. Tal como antes deles, alguns pombos tombaram, só porque pensam que estão acima da Lei.
Aliás, a Lei é profícua em proporcionar-lhes essa ideia. Porque lhes deu asas para tudo. De vandalismo puro e simples com graffitis, que servem apenas para imitar o que os cães fazem com o mijo, que é demarcar território, não importando que estraguem muros que custaram centenas de euros a pintar, a dar-lhes guetos onde os policias são alvejados, sem que haja todo este folclore mediático, ou o branqueamento de incidentes, como o arrastão de Carcavelos, guerras de gangs ou os assaltos diários na linha de sintra por bandos de criminosos sem eira nem beira.
Mas isto são apenas pormenores. Pormenores que antecipam casos como este.
Eu neste último caso prefiro ver a causa.
Sempre fui dos que fui ensinado pelos meus pais com uma máxima, que é a de "quem não deve, não teme". E que a responsabilidade cresce desde pequeno.
Talvez por isso, quando jogávamos à bola, e eu partia um vidro, era eu o único a ficar lá até alguém especialmente furioso vinha ver o estrago, que a minha mãe depois resolvia.
Parti, pago.
Da mesma forma, das 4 ou 5 vezes que fui mandado encostar, uma deu positivo no álcool, para minha surpresa, e não era pouco.
Custou-me. Mas tenho que dizer que os policias envolvidos foram absolutamente 5 estrelas, porque admiti que erro era meu e pagaria por ele.
Eles só cumprem o seu trabalho. Desde que as pessoas sejam homemzinhos e admitam que erraram, sendo cooperantes, estas coisas não passam de incidentes que a Vida vai deixar para trás como recordação a aprender e evitar.
Podia ter fugido? Sim. Mas não teria hipóteses e só agravaria as coisas. Porque fugir é um crime de desobediência à Autoridade, ao que acresce resistência à detenção, condução perigosa, fazendo perigar pessoas e bens.
E isso tem uma consequência. E a derradeira consequência para um crime é a morte. Quem pratica crimes deveria ter isso assente numa folha de papel, para não se esquecer.
Como escrevi antes, toda a gente chora por um bom rapaz [mais um] ter sido alvejado mortalmente [mais um] "apenas" por não ter parado numa operação stop [mais um].
Para esta gente, o sentimento de impunidade cívica é tanto, que a Lei simplesmente não existe. Só os egos de quem pensa que está acima da Lei.
Dizem que este gajo morreu por causa do Polícia. Mas o Policia não é a causa, e a morte é apenas a soma de escolhas com tempo e espaço para serem evitadas. Consequência.
Vamos a factos que evitariam isto:
- Se parasse na operação stop, não teria sido alvejado, apenas interpelado, e caso fosse o caso, autuado ou detido por qualquer ilícito, ou mesmo deixado seguir, na falta de crime.
- Se não tivesse fugido durante tanto tempo, de Alcântara a Benfica são uns bons 8km e tal!, pondo em risco pessoas e bens com uma condução perigosa, não teria sido alvejado.
- Se tivesse obedecido aos disparos para o ar, haveria outro resultado. Agravado, é certo, mas haveria.
- Se tivesse um pingo de inteligência, com um Y10, nem se tinha metido a fugir.
Mas há gente que é mesmo assim. Existe o tal sentimento de impunidade. Ninguém lhes pode tocar. São os reis do "bairro".
A culpa da Morte é do Polícia que fez o seu trabalho?
Não.
É da escolha que ele fez em deliberada, e voluntariamente, desobedecer à Lei porque se sente impune, alheio à consequência que esse acto pode trazer.
E fez porque toda a gente faz o que quer no "bairro", a bófia não manda aqui. É tudo nosso, certo?
Escolha em fugir -> causa <=> balázio -> consequência
Azar.
Duma coisa tenho eu a certeza:
Às 5 da manhã duma segunda feira, à saída das docas, não estava a ir nem a vir do trabalho para ajudar a combater o déficit!
E nem quero saber das desculpas da arma e mais não sei o quê. É tempo de assumirem erros e pagarem por isso. Se pararem nas operações stop, morre menos gente.
Se não pararem, é um a menos que tenho que sustentar!
Já tou a ver alguns chamarem-me insensível. E é um facto. Deste tipo de coisas não tenho pena nenhuma, talvez porque eu veja para além da basófia prosaica com que se pintam. São sempre uns coitadinhos. Nunca fazem nada.
Pena tenho, e muita, dos velhotes que morrem de frio. Dos sem abrigo, a quem a vida não traz Vida. De quem tudo perde, como na Madeira, bens e família, amigos.
Desses tenho pena. E é melhor empregue neles o dinheiro que pagamos dos impostos para sustentar chulos na prisão.
Por isso é simples. Podem escolher entre causa, e consequência.
- Cumpram a Lei, e eu sustento-vos, mesmo contra tudo o que penso sobre isso.
- Não cumpram, e 7 palmos abaixo da terra, job done.
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