Estupidamente, vou falar de macro-economia agora. De diversas situações, conjunções e dúbias intenções.
Até há bem pouco tempo, nem conhecia o termo "agências de rating". Só ouvi falar das mesmas aquando da descida de rating do valor da nossa,digamos, fidedignidade, para pagarmos as nossas contas, por causa do problema grego e do contágio europeu que anda a causar.
Basicamente, são estas empresas que funcionam como avaliadoras dos juros, mediante vários parâmetros, a que os bancos cobram os juros sobre o montante dos empéstimos que nós, como País, sem exportações que balanceiem as contas de forma positiva, precisamos pedir para manter as contas em dia, pagando-as pois com juros.
São elas a Flinch, Moody´s e a Standard & Poor´s. Todas elas americanas.
O problema grego aconteceu por várias razões, a maior das quais a total impunidade com que forjaram números e incompetência (e agora vai para lá o Constâncio, que não viu o BPP e o BPN...) do Banco Europeu em se impor. Não falamos dum acontecimento com um, dois anos, mas de vários anos e 2 legislaturas pelo menos.
Antes da crise global, foram tomadas várias medidas em Portugal que fizeram com que o défice descesse abaixo dos 3% que nos era exigido, concretamente 2,7%. Em condições normais, e com um crescimento económico favorável, Portugal estaria bem colocado face aos problemas que se andam artificialmente a causar, como aumentos petrolíferos, cuja factura energética é a que mais pesa no Orçamento de Estado.
E depois houve a dita crise global.
Estas ditas empresas, que se dizem conhecedoras de tudo, não o previram. Sabiam dos indícios, mas escamotearam-se por véus de pressuposta ignorância, porque Wall Street é perfeita!
É à conta destas empresas que tudo sabem, da vida dos outros, que aconteceu o crash bolsista, porque falharam rotundamente, e o nosso défice passou de 2,7% para 10%.
E agora arrogam-se no direito de nos causar mais danos, especulando, descendo o nosso rating, de modo a poderem atingir o que de facto querem:
O Euro como moeda única, pilar base da estrutura europeia, a estabilidade europeia e a concorrência que a Europa preconiza nos mais diversos serviços.
Desde sempre que o Euro criou embaraços à moeda forte, porque como mensagem é uma mensagem forte de união europeia de valores, ideais e liderança.
Não sou europeista, longe disso e sempre me estive a cagar para os outros, mas afectam-me na medida em que são injustas e altamente danosas as campanhas que andam a fazer contra o meu País!
Se ao criar um clima de instabilidade e dúvida num país que desceu de 8,7% para 2,7% o défice, que aumentou para 10% por culpar dos americanos, como podem eles acusar Portugal de ser um foco de instabilidade se são eles que o provocaram?!
Toda esta hipocrisia me irrita.
Vejamos o petróleo.
Temos agora uma enorme catástrofe no mar americano. Temos um camião cisterna que rebentou com uma petrolífera lá. Aumentou o preço do crude por causa disso? Não.
Mas bastou há dois anos o presidente palhaço da OPEP dizer em Junho, num ano de forte especulação petrolífera, que provavelmente os barris de petróleo em Dezembro chegariam aos 200US$ para haver um aumento de 24US$ por barril na bolsa nesse mesmo dia!
Esse foi o ano em que a OPEP em 6 meses obteve mais lucro que o ano anterior. Mas fodeu-se, porque em dezembor estava a 45 US$ que se foderam!!!
Alguém percebe?
Eu não. Mas é da maior importância que sejam criados mecanismos efectivos contra os especuladores que são tão ou mais graves que um ataque terrorista na bolsa. Porque o são!
Da mesma forma não percebo como estas empresas são responsáveis por agora me estarem a prejudicar, quando a culpa é delas de não accionarem os mecanismos na devida altura que evitassem o crash bolsista!
Não foi dado o devido crédito a Portugal pelo acerto das contas públicas. Não foi dado o crédito à execução fiscal, ao aperto aos incumprimentos, às medidas de contenção, à restrição do gasto do Estado. Nada.
Aos americanos apenas interessa um Euro descredibilizado. Nem que para isso, evitem que os seus males sejam conhecidos de antemão antes de infectar todos os outros.
Percebo que seja agora política imperativa do Governo o investir em obras que pelo menos por 2 ou 3 anos tragam emprego, como o TGV e o Aeroporto. O problema é que são trabalhos temporários. E apenas algumas construtoras irão beneficiar.
As privatizações trazem cash imediato, mas não servirão mais como garantias. Quem todos os aneis vende, cedo ou tarde cortará dedos. Preferia um aumento do IVA de novo para 21% que isto. E só não é feito para não acicatar ainda mais os grandes sindicatos, que tudo fazem para prejudicar o País.
Esses grandes sindicatos que não têm pejo em prejudicar milhões e em dar uma imagem de instabilidade a estas empresas, para que possam descer ainda mais o rating. E fazem-no porque uma CP ou uma TAP têm um valor acrescido. É que prejudicam imensas pessoas em vez da leitaria do tio antunes, que tem meia dúzia de clientes.
É por causa destes sindicatos e duma política muitas vezes que raiam a irresponsabilidade é a Lisnave, Setenave, Sorefame e afins desapareceram. É que exigir demais sem querer trabalhar dá nisto!
Seria bom que todos, sem excepção, assumissem a [nova palavra forte do Governo] responsabilidade política e social para dar a imagem e efectivamente contribuir para que estes palhaços americanos não nos venham foder mais as contas!
Eu faço sacrifícios para manter o meu posto de trabalho. Nem que tenha o ordenado congelado há 2 anos! Não é um, são dois! e já antes, tive que o fazer por mais 2! Eu faço a minha parte. Não exijo o que não posso exigir! Como aumentos que não se podem dar, nem benesses que não se podem ter, porque nos andam a tentar fazer a folha!
Façam o favor de largar o vosso umbigo político e vejam a "big picture"!
Ou Portugal se une, ou eles vão ganhar.
E eu detesto mesmo, mas mesmo, perder!
Sem comentários:
Enviar um comentário