sábado, 26 de março de 2011

Mataram o País

Boas

Ao tempo que não escrevo um testamento. Vai ser hoje.

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Ao tempo que estava à espera que este Governo caísse. Um Governo minoritário tem este problema. Mas há formas e formas de cair, e especialmente timings mais ou menos acertados.

Infelizmente, 99% das pessoas são estúpidamente amnésicas no que toca a política. Enchem a cabeça com as merdónovelas, mas esquecem-se do essencial.

Que antes do crash bolsista, as coisas estavam no bom caminho, o cinto começava a desapertar (IVA de 21 para 20%, com a hipótese de regresso aos 19%, cumprido e ultrapassado o défice pedido há 3 anos), e mesmo com a despesa pública nos números absurdos, havia crescimento económico.

Foram feitas, e por feitas explique-se, projectadas, aprovadas e feitas, mais infra-estruturas rodoviárias na anterior e nesta legislatura que em 8 anos de PSD.

Muita gente gozou com o computador Magalhães.

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Mas o facto é que preparar o único recurso que temos, as pessoas, desde pequenas para o futuro, demonstra visão que nenhum outro governante teve. E ensinar-lhes a língua inglesa, a língua universal, desde pequenos, para que dominem o seu próprio futuro, ainda mais visão demonstra, sintonizado nas novas tecnologias, que inevitavelmente chegarão.

Os anteriores, não fizeram a ponta dum corno a respeito de seja o que for de forma a preparar as pessoas! E isto, ladrem o que ladrarem, é a verdade indesmentível, e desafio seja quem for a provar o contrário!

O programa "Novas Oportunidades", embora reconheça que é meio uma farsa para mascarar o desemprego, tem o seu quê de mérito.

Sim, discordo que alguém em meia dúzia de dias fique equiparado com quem estudou anos a fio, e sim, não concordo que possam passar à frente. Mas lá está, ao providenciar portáteis a csto reduzido, dando noções básicas de TI a pessoas com mais idade que não dominam sequer o ligar um PC, e dando-lhes mais valias e um certo grau de autonomia para se aventurarem na net e na vida globalizada, está-se a valorizar uma pessoa que poderá achar em si um potencial desconhecido.

Nem tudo é perfeito, porque como diz o Stephen Hawkins, «a perfeição no Universo não existe», mas pelo menos este não DESERTOU do País para ir pra presidente do crl que o foda da UE, nem meteu o País praticamente na bancarrota em apenas 6 meses como o Santana Lopes, que ninguém se lembra que mandou o Paes do Amaral pra fora da TVI, nem que, como mero presidente da câmara de Lisboa, comprou um Audi A6 por 56.000€ para, depois de deposto, o querer comprar por 14.000€.

Disto ninguém se lembra. Tanto que foi a votos outra vez e ainda votaram nele. E é este o Povo que temos. O António Costa anda de Smart na cidade. São diferenças. Uns pelo Povo, outros a chular o Povo.

Mas chega de passado que ninguém se lembra. Ou quer saber. Admito que eu não me esqueço porque guardo sempre as embalagens para referência futura e não encho a cabeça com merdónovelas.

Vamos a presente pós-crash bolsista.

Qualquer pessoa atenta à realidade notaria que depois da Grécia, as agências de rating, que determinam o futuro de todos, mas foram incompetentes a prever o seu próprio crash nos USA, apoiadas em poderosos lobbys dos mesmos USA, querem acabar com a UE.

Da mesma forma, os "mercados", essa coisa estranha que ninguém sabe o que é, mas que detém o poder, estão a fazer ataques concertados aos membros mais fracos de forma a minar a economia europeia.

Um facto estranho do poder desses "mercados" é o exemplo do petróleo. Em 2008, por causa alguma, subiu aos 140US$, agora que há levantamentos populares, guerras e o crl em países produtores, nem aos 120US$ chega.

Dá para perceber? Não. Da mesma forma que não percebo, e isso estou atento há 3 anos, ao que se passa na gasolina em Portugal. Mas isto é outra conversa.

Certo é que a Grécia, e por contágio, a Irlanda, precisaram de ser "salvos" pela UE. Países com mais recursos que nós.

Que não os temos porque quando um certo actual presidente (sim, com "p" pequeno, porque é o pior presidente da história, que inclusive, faz campanha a favor do PSD e trava coisas absolutamente justas, como o casamento homossexual e direitos a isso inerentes) da República foi primeiro-ministro, decidiu-se que Portugal iria deixar de ser pescador e agricultor.

Paguem-se subsídios aos homens pra não fazerem nada e dê-se dinheiro aos espanhóis, aumentando as importações.

Aliás, o dinheiro que veio da UE nesses anos, não se sabe ainda hoje onde anda grande parte. Quiçá em quintas e grandes impérios.

E pronto, bolas, lá voltei ao passado

Mas o problema é que o passado faz parte deste presente. Sem terem criado qualquer tipo de estruturas, e ao aceitarem quotas ridículas de produção, hipotecámos condições que hoje poderiam fazer poupar alguns milhões de euros em importações escusadas.

Lembro o leite derramado aos milhares de litros e as toneladas de pêra-rocha que se tem deitado fora. Lembro o azeite. Lembro as proibições das rolhas de cortiça que estão pra vir e o mercado que já se começou a perder, sem que tivessem sido tomadas medidas atempadamente.

Tudo isto foi herdado. Algumas coisas resolveram-se, outras não. Sem crash e sem estes ataques à economia europeia por parte de lobbys dos USA, estaríamos com IVA a 18% hoje. De certeza.

Ahhhh, mas ninguém se lembra disto, né? Pois. Por isso é sempre mais fácil falar do actual. É a solução fácil.

Por falar em solução fácil, como se combate, num país sem recursos por culpa de outros, o aumento do deficit? E como se desce esse mesmo deficit para o que nos é exigido?

Naturalmente, aumento de impostos. Isto é economia.

Sobe o IVA, sobe o IRS. E claro, não concordo numa mentalidade emocional, mas é a única opção a nível racional.

Por outro lado, não percebo como a Banca está livre de fazer o que quer, não percebo como tanta gente ganha tão bem sem fazer nada, não percebo porque há 3 ou 4 chefias num mesmo departamento no Estado, não percebo porque são usados recursos do Estado no dia-a-dia, como deslocações em viaturas, a compra de novas viaturas e muitas outras demonstrações de incompetência dos diversos serviços que pagamos com os nossos impostos.

Foi então criado um sistema de descontos para quem ganha mais que 1500€ por mês e actualizações de tabelas de IRS.

Há greves, protestos, manifs e o crl, mas eu daqui digo. O aumento do IVA pra 23% a mim, e a muitos mais, dói duma forma exponencialmente inversa mais a quem, como eu, ganha muito menos que isso.

Se eu vivesse com 1500€ por mês, estaria muito bem, e não seriam 10 ou 20€ que me matariam à fome.
Até porque ninguém fala dos bónus, que nunca tive, ou prémios de produtividade, que nunca tive, que acabam por compensar isso.

Só eu sei o quanto me enojou ver na tv pessoal, no caso, casais, na casa dos 3000€ mensais ou muito mais!, a queixarem-se de "dificuldades".
Filhos em colégios internos e tal, boas casas, bons carros. Tudo bem, têm o direito. Da mesma forma eu, que tenho que fazer sacrifícios reais para manter as minhas contas pagas, abster-me da minha saúde e por vezes algo mais, tenho o direito à minha indignação por este populismo.

E então o "Povo" parte para as greves. E quando escrevo "Povo" entre aspas, refiro-me a uma coisa que passa despercebida.

A greve é um direito, supostamente igual para todos. Mas nem todas as greves, nos seus efeitos reivindicativos, são iguais para todos.

Se o Jaquim da tasca da esquina fizer greve, o pessoal vai a outro café. O impacto económico é nulo.

Mas se alguém que transporta milhares, que pagam por isso para poderem ir trabalhar, fizer greve, afectará indirectamente terceiros e quartos, logo criando a ilusão de força dos sindicatos, logo dando mais prejuízo, logo achando-se no direito de, como na CP, fazerem greves todos os anos desde 1975!!!

São assim tão mal pagos?! Como gostaria que, quando há deste tipo de greves, desse na TV quais os ordenados base, só para vermos exactamente se devemos compreender ou mandá-los pró caralho que os foda.

Mas isto é um mero exemplo.

Porque em Portugal existe uma mentalidade estranha. Quer-se trabalhar pouco, mal, mas receber bem.

Sorefame, Setenave, Lisnave e várias outras grandes empresas simplesmente fechadas por protestos a mais, plenários a mais e trabalho a menos.

De formas que, vejo este pessoal a mandar vir com o esforço de darem mais 10 ou 20€ ao Estado em ordenados que, para mim que recebo muito menos, são de ricos, e fico chateado. Claro que fico.

De modos que, lendo para trás, vejo que as condições que provocaram a crise são estrangeiras, existe uma cambada imensa de chulos bem pagos que pouco fazem à conta do estado, chefias a mais por um lado, mas por outro foram deitadas sementes que proporcionam à geração vindoura armas que lhes permitirão vingar num mundo em mudança.

E estas sementes valem o Futuro!

E agora olho para esta demissão. Nunca houve sugestões credíveis por parte da Oposição, a não ser as estupidamente popularuchas, muita demagogia, insultos pessoais, nunca nada de palpável.

Este PEC IV, há que convir, não era necessário. Destina-se apenas a criar um "colchão" de ar nas Finanças que permitam que os investidores e mercados saibam que há uma margem de perda superior.

Foi recusado, o Governo demite-se, e o que diz o PSD?

"Aumente-se o IVA pra 25% de forma a que as pensões acima de 1500€ não sofram congelamentos."

O IVA é um imposto cego, que atinge TODOS!, incluindo quem tem pensões de 300€ ou menos!
É pra isto que deitam o Governo abaixo?!

É preciso ser tremendamente irresponsável, pegando na palavra-chave (responsabilidade política) que existe desde a tomada de posse, para fazer isto.

Quando o FMI ou a ajuda europeia vier injectar dinheiro porque é tarde demais, e quando os que agora saltam de alegria pela demissão do Sócrates, virem o IVA a 28%, o IRS a mais 2 ou 3 pontos percentuais, a gasolina a 2€ e receberem apenas para irem trabalhar, ficarão ainda contentes?

Larguem as merdónovelas e acordem caralho! Mataram o País e nem luto decente sabem fazer. Dass!


Nem mais. All Hope is Gone!

Por isso, e porque reconheço que foi feito trabalho que ninguém mais fez, obrigado Sócrates.

Pena é que por culpa de terceiros, as coisas tenham dado mal.

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