Aqui à atrasado, muitas, muitas Luas atrás, havia umas séries de animação que eu adorava:
"Era uma vez o corpo Humano" e "Era uma vez o Espaço".
Desta feita, existe uma que não gosto.
"Era uma vez uma vaga"

Era uma vez, um esquema para arranjar uma cunha.
Alguém, que pela forma carinhosa e objectiva como é descrita, tratando pela primeira pessoa do singular, deve ter sido uma boa foda, ou então é mesmo uma excelente pessoa, precisava de um vínculo laboral.
Mas como no Estado existem regras, regras essas para garantir igualdade de tratamento de candidatos, supostamente, decidiu-se falsear a proposta pública para legitimar a vaga, já tendo a candidata sido escolhida de antemão, longe de olhares insuspeitos, crentes da justiça apreciativa dos seus currículos.
Isto é um caso onde um(a) idiota incompetente, mais um dos que pululam muitos serviços do funcionalismo público, pago por nós, teve um assomo de desatenção e deixou lá ficar, A CAPS LOCK PARA TODA A GENTE VER ALTO E BOM SOM, o final do esquema.
Pior, para mim, é que defendem a medida como legal.
Questionado pela Lusa sobre se houve favorecimento da trabalhadora, o delegado regional do IEFP, Carlos Baía, respondeu que «não», explicando que, por erro, o nome da pessoa indicada pela entidade empregadora para a função, ao abrigo do previsto na medida estímulo2012, passou para a Internet.
«Não, de forma nenhuma. A oferta de emprego tal qual como está caracterizada no [site] netemprego foi colocada ao abrigo da medida estímulo2012, que prevê que a empresa contratante possa indicar desde logo o trabalhador a contratar. Portanto é legítimo que a empresa o faça»
Ou seja, é apenas um pro-forma o sistema de concursos públicos, aos quais só vai ter acesso quem tiver boas cunhas. Esqueçamos o mérito, a competência, isso tudo.
Ninguém fiscaliza o processo de selecção, ninguém questiona a legalidade da escolha, ninguém se importa que se ignore o âmbito aplicativo das regras do concurso ou a lei que lhe deu origem.
Faz-se um concurso, falseia-se o resultado para legitimar uma escolha feita com antecedência, sabe-se lá se com ou sem mérito ou competência e assim se cria emprego na função pública, com cunhas gritantes e blowjobs for the girls.
Quantos mais casos há destes por este país, pergunto eu?
Quantos mais casos tenho eu que pagar do meu bolso?
Quem vai ser responsabilizado por falsear uma decisão e contornar a Lei desta forma?
Portugal continua a ser o paraíso de alguns filhos da puta que nos comem de cebolada. E o pior, é que pagamos o ordenado a uma boa parte deles!
De modos que, quando tiver que me aplicar a um posto público num concurso, espero realmente estar na parte das condições que diz "outros conhecimentos", como a foto do artigo demonstra.
O meu nome é Cunha. Tacho Cunha.
(Este blog foi escrito em completo desacordo com o novo acordo ortográfico.)
Sem comentários:
Enviar um comentário