segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Uma proposta, quiçá parva. Oh...wait...sou eu.

Boas

Tava a ver a desgraça das diversas notícias sobre mais este assalto ao bolso do consumidor, e deparo-me com este artigo, onde são pedidas propostas para alterar o rumo dos acontecimentos.

Tenho a dizer que ando absolutamente revoltado e irritado com tanta injustiça em tão pouco espaço de tempo.

Precisava alinhavar ideias, escrever, desabafar. Estranhamente estava aqui com um rascunho, mas não me conseguia ordenar. Mas queria escrever algo.

Comecei a então a escrever o mail para o endereço. Mal ou bem, é a minha voz, amordaçada por impostos e injustiças que vejo.

A quem o ler no Económico, peço imensa, mas imensa desculpa pelo testamento, lol, mas agradeço terem-me orientado numa direcção que me permitiu acalmar, escrever coerentemente e talvez, mas apenas talvez, ter uma ténue esperança que alguma coisa seja sugerida ou proposta, semelhante ao que penso ser justo e que possa ser feito.

Comecei eram 4 da tarde, são agora que vejo, 20:38h.

Maratonas de escrita...it never get's old.

Boas

Sou um dos indignados anónimos deste belo país, e anónimo escreverei.

Medidas na óptica dum leigo como eu, a meu ver, há muitas. E como estive a ler esta peça, nem que faça figura de urso, vou falar...ou melhor, escrever, o que me vai na alma.

E há que começar por cima, para dar o exemplo.


Despesas do Estado, algumas coisas metem-me espécie:

  • Assessores e secretários/as com ordenados de 3.000+€ por mês por motivos que ninguém aparenta saber muito bem porquê, corte de 20% no ordenado. São muitos, muito dinheirinho anual pode lá ir ser pescado

  • Gestores públicos, acima de 4.000€, corte de 35+%. Fim dos bónus pornográficos por "boa gestão", afinal de contas, estamos em emergência nacional. Não é só apregoar isto para os mais pcaninos, especialmente quando isso não está declarado efectivamente.

  • Corte radical em benesses como cartões de crédito para almoçaradas (GEBALIS e afins que continuam a aparecer nas notícias), combustível para deslocações que não as em representação legítima do Estado, a imediata suspensão do uso da frota de toda e qualquer viatura do Estado para usos particulares ou ao fim de semana, nas empresas públicas e um controlo rigoroso das deslocações da frota/custos com combustíveis. Com toda a panóplia de software, até livre, que existe, um controlo rigoroso é perfeitamente possível.

  • Eliminação de chefias redundantes. Haver repartições com 3/4 chefes e um a trabalhar, enfim. Os critérios devem ser muito bem explicados.

  • Fim de pseudo-estudos encomendados que custam os olhos da cara só para parecer que somos ricos, que depois, como no TGV, não servem para nada, e um investimento sério nos nossos universitários. Um Estado que aposta nos nossos jovens não só dá um exemplo de coragem, poupança, mas abre-lhes portas no futuro. Se os formamos, que se lhes dê uso.

  • Fim de pensões/sub-venções vitalícias quando ou estão no activo laboral ou as suas declarações de rendimentos ultrapassem algo como, sei lá, 25.000€ anuais brutos.
    Poderia lembrar-me do Catroga, mas depois irritava-me, e irritado já eu tou.
  • Taxar profissões como advocacia, por exemplo. Não faz sentido quererem que os comerciantes emitam facturas dum simples café, e eles só declaram o que lhes apetece. Não faz sentido.

E voltando aos carros, porque gosto de carros e motas, estes exemplos que andam por aí...erradicar por completo:

S. Bento compra carro de 134 mil euros para convidados -> http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1256
Estado com 529 novos veículos (835.000€) -> http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/estado-com-529-novos-veiculos
CP em crise dá carros de luxo a gestores -> http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=20980

1.024.000€

Um milhão e vinte e quatro mil euros, mais manutenção, mais combustíveis não quantificados, só aqui. É obra.


Depois, esta coisa dos valores para a S.S. ...

Eu não me importo, como trabalhador por contra de outrém, de ter o meu papel activo para contribuir para a saída deste buraco. Desde que seja justa.

Mais uma contribuição para a Segurança Social? Ok.

Peguei no meu ábaco e fiz contas de merceeiro imaginárias, porque tirei a primeira classe por correspondência e não havia licenciaturas à Relvas na altura, apenas para ver estas coisas da "equidade":

500€×18%=90 = 410€ mais contas ao fim do mês

5000€x18%=900 = 4100€ mais contas ao fim do mês.

equidade |qüi|
(latim aequitas, -atis)
s. f.
1. Igualdade.
2. Rectidão na maneira de agir. = IMPARCIALIDADE
3. Reconhecimento dos direitos de cada um.
4. Justiça recta e natural.
vender com equidade: contentar-se com um ganho razoável, sem se valer da necessidade que o comprador tem do género.

Antónimo Geral: --> INIQUIDADE <--



É isto que vejo. É um imposto cego, camuflado de contribuição.

Tal como as tabelas de IRS são desenhadas em função dos rendimentos, se vai haver esta solução, que seja igual na proporcionalidade justa, a tal equidade, para todos mediante os seus rendimentos, não esta descriminação para quem menos ganha!, especialmente os pobres coitados com o salário mínimo.

Isto dos 18% não é igual pra todos coisa alguma! Então peguem nos senhores que ganham 6,7,8 mil euros e façam como o Hollande quer fazer, 75% de imposto por um ano ou dois. Porque esses não vão passar fome. Afinal, isto é mais um imposto de 7% do meu rendimento. Podem criar outro.

Aliás, para quem diz que neste país é difícil taxar o capital, eu acho fácil usar o IMTT e a AT para descobrir quem paga IUC de carros de alta cilindrada de luxo, barcos ou iates de luxo/recreio ou aviões e ir lá buscar mais uns trocos.
Afinal, se eles descobrem carros com matrículas falsas nas SCUT's e acham as nossas moradas para nos dizer que estávamos a 300Km do local de trabalho aquela precisa hora, podem achar esses senhores.

Fazer um inquérito rigoroso sobre o que aconteceu com Parque Escolar.
Escolas com candeeiros Siza Vieira a custar 2000€ cada um, ou escolas com estores eléctricos que aumentam os custos de energia desmesuradamente, tudo isso tem que ser explicado, porque requalificar uma escola com condições dignas, não é por aí que se vai.

Se estava no orçamento original, porque estava. Quem o meteu. Quem o aprovou e porque aprovou um excedente material que pode ter alternativas baratas e mais funcionais. Quem lucrou com isso. E que seja levado a tribunal se houver dano ao erário público. É o mínimo que exijo.

E falei na parque escolar, mas poderia falar de tantas obras-fantasma ou inflacionadas que existem.

E isto das derrapagens em obras, tem que parar. Se é dado um orçamento, tem que ser cumprido à risca. Se não, quem tem que entrar com o dinheiro é o responsável que o fez e com um ónus de valor acrescentado a reverter para o Estado, como fazem, por exemplo, as grandes companhias petrolíferas na construção das suas infra-estruturas.

Se existirem atrasos, é o estaleiro que assume as custas adicionais. Basta uma pequena cláusula.

Gente a querer contratos com o Governo, há muitos. Garanto que não haveria mais obras atrasadas ou derrapagens.

É tempo de se ser profissional e responsável. Obras que demoram mais que o estabelecido, são um estorvo na carteira e na comodidade dos cidadãos.

Sobre as PPP's, como não entendo o conceito de um Estado suportado pela população pagar para um privado lucrar, e dar prejuízo ao Estado, não me alongo, mas se é tão fácil acabar com postos médicos em terreolas que têm um autocarro de manhã, outro à tarde, se tiverem, e depois as pessoas têm que ir de táxi 40 e tal kms, porque eles cortaram o preço por km aos bombeiros para transporte de doentes para ir a um médico, estranha-me que seja assim tão difícil acabar com institutos e fundações que não geram dinheiro e alguns têm 5 administradores a comer 10.000€ mês.

É que supostamente, os meus impostos e contribuições são para servir a população idosa, e outros, que precisam dum médico, não coisas como essas.

Sobre os combustíveis, tive uns tempos há um ano ou dois, que seguia as cotações diárias. Se bem que os impostos sejam elevados, continua a haver um ganho de dinheiro enorme quando a um Sábado um tanker vem encher a bomba perto de mim, com gasolina de baixa, e na 2ª feira seguinte já a vendem a preços de alta. Já o contrário era, norma geral, inexistente. Mas pronto.

Existe um menor consumo, porque as pessoas estão a deixar os carros parados, menos imposto para o Estado.
Se as pessoas tiverem um menor imposto, com a gasolina mais barata irão passear mais. Passeando mais (ou trabalhando, whatever), mais o Estado recebe.
Haverá uma quebra inicial, ou não, mas será atenuada rapidamente e dará frutos em pouco tempo.

É este o meu pensamento minimalista e simplista. Digo o mesmo sobre o preço dos bilhetes de futebol à séculos. Quando baratos, casa cheia, quando caros, meia dúzia de gatos-pingados.

Como diria o Merovingian no Matrix:

"-It is the only real truth: Causality. Action. Reaction. Cause and effect."

______________________


Isto tudo acima, na parte que acho ser possível fazer no papel do Estado, convenço-me, na minha arrogante cabeça ignorante, representaria um bom ganho.

Com sorte, daria para repor os subsídios inalienáveis que o Sá Carneiro falava.

Aliás, nunca percebi estas anarquias de gastos, falta de controlo preciso e rigoroso num momento em que tudo é informatizado.
.
Parece que na folha de excell do Gaspar só os impostos sobre o rendimento batem certos de forma rigorosa, como se as imponderabilidades da vida real não existissem.
Existem sim é as "derrapagens" do Estado, mais uma vez. Aparentemente fazer contas só pra um lado.

O Povo Português gosta de comer, beber e passear.

Se dois terços do PIB são de consumo interno, grande parte restauração e turismo, não ver com olhos de ver o impacto negativo que teve o aumento do IVA na restauração, e insistir em retirar rendimentos, é promover mais retraimento nessas actividades, bem como no comércio em particular.

Querem andar com o país para a frente? Tem que se deixar às famílias dinheiro suficiente para gastar. Porque o Povo está sob stress, por razões monetárias, insegurança laboral, e um povo que já é pouco produtivo, porque nunca se apostou a sério em formação profissional qualificada e mentalidade profissional, pior vai produzir se estiver a pensar na sua vida em vez de laborar concentrado a 100%.

Temos que comer, beber e passear para sair um pouco deste buraco. Dêem-nos condições e o Povo responderá.

Crie-se incentivos fiscais sérios, a 15/20 anos, e convidem empresas a vir para cá para ver se diminuímos os 15.6% do "coiso". Se vierem para zonas do Interior, haja mais incentivos de forma a evitar a desertificação galopante.

Estamos perto do mar, acesso fácil à Europa de pessoas e bens. Em vez do TGV, era bem mais importante standardizar as bitolas para os comboios de mercadorias irem directos para qualquer ponto da Europa.

Com vôos low cost ao preço da chuva, quem iria gastar o triplo para ir de TGV?! É de loucos a quantidade de oportunidades perdidas para a dinamização comercial. Temos excelentes condições para sermos um entreposto, um interface comercial de peso.

Invista-se, faça-se, arrisque-se. É aqui que o Estado tem que actuar.

Mas faça-se algo mais que tirar rendimentos, porque tantas vezes vai o Gaspar à fonte, que ela morre de fome.


Peço desculpa pelo "testamento".Estranhamente foi calmante alinhavar ideias, mesmo que erradas.

E obrigado por nos ensinarem e esclarecerem algumas coisas, ou no site ou no ETv. Volta e meia fico por lá.

Vou fazer figura de urso na redacção, mas fez-me sentir bem, lol

(Este blog foi escrito em completo desacordo com o novo acordo ortográfico.)

Sem comentários: