
Pobre palhaço...
De que te ris, se a Alma te chora?
Quanto te custam as mágoas,
como te custa fazer sorrir agora...
Fazes rir porque te preocupas,
gostas de ver tudo feliz.
De crianças a adultos,
com o seu alegre coração de petiz,
riem da tua figura,
dos teus sorrisos,
teus trejeitos,
das tuas pequenas piadas,
dos teus movimentos mal-feitos.
Mas pobre palhaço...
De que te ris, se tens a Alma magoada?
Nunca ninguém vai desconfiar,
por detrás dessa imagem desajeitada...
E continuas, no meio da arena,
rodeado de bela gente pequena,
de pequenos olhos esbugalhados,
olhando os teus grandes sapatos estragados,
a tua roupa exagerada,
colorida e engraçada,
a todos ofereces amizade e carinho,
no fim do espectáculo o pano baixa,
despes o fato e acabas sozinho...
E tu, pobre palhaço...
de Alma de dor ensanguentada,
sofres no teu calmo silêncio,
e soltas uma lágrima na tua almofada...
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