sábado, 8 de outubro de 2011

O que é um videojogo?

Esta é uma participação especial para um friend of mine no seu excelente site illusivegamer.com, ao qual quem gostar de jogos, aconselho uma visita demorada, porque há muito para ler, especialmente se for um gamer interessado nestas coisas.

Assim sendo, peguei numa coisa que me irrita...

_______________________________________________________

Boas

Esta vai ser a minha estreia como comentador especializado em coisa alguma, por isso sejam brandos nas pedras.

Basicamente, pagam-me 30.000€ por parágrafo para agraciar com a minha podre presença este espaço, por isso, vou paragrafar coisas mais ou menos parvas. Ou não, porque todo o ponto de vista depende do observador, e alguns, infelizmente, vêem, mas não observam.

Numa das sugestões para esta coluna, foi-me sugerido que tocasse num ponto que a mim, pelo menos, me magoa muito.
E não, não é sobre nenhuma das minhas ex-namoradas. xD

Porque é que todos os males do Mundo têm como base os videojogos?

Escolhi ao acaso um exemplo, entre muitos, do que falo:

LARRY KING: Why, though - OK, you want to kill someone, you're crazed, you're a little nuts, girlfriend drops you, why do you kill innocent people?... Dr. McGraw, are they treatable?

DR. PHIL: Well, Larry, every situation is different... The question really is can we spot them. And the problem is we are programming these people as a society. You cannot tell me - common sense tells you that if these kids are playing video games, where they're on a mass killing spree in a video game, it's glamorized on the big screen, it's become part of the fiber of our society. You take that and mix it with a psychopath, a sociopath or someone suffering from mental illness and add in a dose of rage, the suggestibility is too high.

And we're going to have to start dealing with that. We're going to have to start addressing those issues and recognizing that the mass murders of tomorrow are the children of today that are being programmed with this massive violence overdose.

in Gamepolitics.com

Ora, se há coisa com que eu embirre, é o facilitismo. Concordo que a Navalha de Occam seja útil em muitas coisas, mas aqui, temos uns pontinhos a rever.

Primeiro, nos EUA, o uso e porte de arma por qualquer retardado mental voluntário, ou seja, porque é burro de forma consciente, não comparar com os infelizes que nascem assim, é um direito que têm.
Aliás, falamos do país com mais raptos por extra-terrestres no Mundo, só isso quer dizer algo.

Depois, apesar de se intitularem de maior e melhor nação do Mundo e arredores, 68% são burros que nem uma porta. E em pleno século XXI, já há portas inteligentes.

E para finalizar, esta geração de pais não sabe educar os filhos. E este é para mim o ponto fulcral.

Eu cresci para os videojogos aos 14/15 anos. E cresci com conselhos dados pelos meus pais, e uma educação dada pelos meus pais, compensada com o saber fornecido pela escolaridade.
Saber distinguir a ficção da realidade, divertir-me, mas não ficar obcecado compulsivamente, aprender a dividir o tempo de estudo e lazer, tudo foram sementes que me foram incutidas, germinaram e fizeram de mim o estúpido que sou hoje.

Mais refinado, é certo. Mas estúpido.

Dei porrada de criar bicho no Streets of Rage, imiscui-me no Art of Fighting, dei uma de Samurai Showdown, peguei no meu Apache e fui fazer um jungle Strike, e não satisfeito um Urban Strike, maltratei corvos e bicheza vária, incluindo vacas no Earthworm Jim, num imenso Street Fighter, onde passava horas a fazer Fatalities no Mortal Kombat.

Tão depressa dava cabo duma base inimiga com o meu Mig-29 Fulcrum, como depois, ia fazer uma partidinha de ATP tenis seguido duns tiros no Lethal Enforcers.

E a lista continua, longa.

É verdade que passar da praia do primeiro Medal of Honor me marcou. Foi o 2º FPS que joguei, e ligado à aparelhagem, o som brutal dava uma envolvência fabulosa.

Mas nunca me deu para bater em alguém. Matar alguém. Fazer coisas parvas a alguém.

A razão é simples, e já a referi. Foram-me dadas sementes, por duas das mais belas árvores deste Mundo, para começar por mim a pensar o que é certo ou errado.

Jogar é um entretém. Tal como quando faço maratonas de Star wars, Matrix ou LOtR. Fazem-me sonhar. Viver noutro mundo. Abstrair-me sem incomodar. Em tempos de crise, a possibilidade de por umas horas estar noutro lado, clarifica-me a mente, evita que me destrua em angústias. E por vezes, faz-me sorrir, ou emociona-me às lágrimas.

Não tenho tipo de dúvida alguma que jogar de forma assídua me desenvolveu a capacidade de "pensamento lateral" em questões profissionais ou de outra espécie.
A procura de soluções que não as que nos ensinam pode significar muitas vezes o triunfo ou o insucesso na Vida.

Sou dos que acreditam que há os que seguem, e os que são seguidos. Eu sou dos que param para mostrar aos outros como trilhar caminhos, mas não trilhá-los por eles.

Da mesma forma, a destreza psico-motora necessária para jogar um videojogo, aliada ao reflexo pensamento-comando foi desenvolvida, tornando-me mais alerta. Mais capaz em certas áreas que, sem horas de jogo, provavelmente levaria mais tempo a reagir em determinadas condições.

Penso que com um estímulo certo, uma criança que queira aprender como fazer as coisas, se tornará num excelente profissional na área informática. E querem melhor exemplo que esta geração de talentos que está a despontar?

Sim, temos uma empresa portuguesa a fornecer software para satélites. E sim, temos uma empresa portuguesa que é reconhecidamente uma das melhores a nível global de GPS.

A quantidade de empresas assim já é enorme. E altamente qualificada.

E este pessoal veio da mesma época que eu também. Mesmos interesses. E não desataram a matar ninguém. Matar alguém. Ou a fazer também coisas parvas a alguém.

Existe um benefício em ser gamer. Ou melhor, vários, sendo que aqueles que enumerei são os que sinto que me fizeram em parte o que sou.

Acho piada a estes "psicólogos da treta" quando alertam para os perigos dos videojogos como se fossem a causa dos males da Humanidade.

Não foi um jogo que criou Hitler, nem Estaline. Nem os Romanos, Persas, Vikings, Bárbaros. Não foi um jogo que criou a Santa Inquisição que assassinou Copérnico só porque este disse que a terra não era o Centro do Universo. Nem os milhões a seguir, acusados de bruxaria por dá-cá-aquela-palha.

Não foi um jogo que criou o conflito Israelo-Árabe, nem foi um jogo que fez despontar Kamikazes e terroristas islâmicos. Não foi um jogo que criou as Guerras entre Atenas e Esparta. Nem o Afganistão, nem o Vietname.

Não é um jogo que manda os filhos dos outros para a Guerra, para morrerem por causas intangíveis como a religião, ideologias ou cobiças territoriais.

Mas um videojogo pode retratar, agora em pormenores HD, a hipocrisia e crueldade do ser humano, no seu esplendor.

Isso não interessa a quem governa. Eles têm influências nos media, com os seus yes-man, para esconder o que não interessa ver. Todos nós nos recordamos da forma escandalosa como a CNN não mostrava os corpos dos soldados americanos a regressar do Iraque e Afeganistão.

Mas na área dos videojogos, não têm yes-man, ou woman. É uma forma de comunicação que não controlam. Uma forma de comunicação das poucas, actualmente, que são livres de seguirem, fora do espartilho do Poder.

E isso assusta-os. Assusta-os que possam abrir olhos. Que as pessoas comecem a pensar.

Tal como a "pirataria".

A suposta "luta contra a pirataria" não é mais que um pretexto para saber quem está contra eles, quem pensa pela sua cabeça. Quem consegue contornar o sistema de controlo. Quem consegue influenciar grupos de cidadãos.

Quando num videojogo se vêem civis a ser atingidos, essa é a realidade da guerra. Quando se vê cortar uma garganta, essa é a realidade da guerra. Aniquilar com uma granada para dentro duma divisão duma casa, essa é a realidade da guerra. (isto nos FPS's)

Eles não querem isso. Não querem que as pessoas vejam como é a realidade da guerra. E como não têm yes-man nas direcções dos art studios de jogos, têm este tipo de "psicólogos" para mandar poeira para os olhos, meter medo, influenciar.

Li enormes coros de criticas deste tipo de imbecis à "violência" no GTA IV. É o fim do Mundo, o deboche total.

Mas curiosamente, qualquer Sonic the Hedgehog ou Super Mario Bros "mata" mais criaturas no seu gameplay que o GTA IV.

Senão, contem quantas mortes há. 10, nas missões, mais 2 ou 3, e that's it. O jogo dá-nos a opção de escolher entre deixar viver, ou não.

O jogo entrega-nos a responsabilidade de andar com uma bazooka na rua e, ou dar cabo de tudo e todos, ou não fazer nada disso e apreciar a beleza daquela cidade virtual.

Exactamente o mesmo efeito que o inFamous tem. Que teve no Black & White o seu percursor virtual.

Depende da nossa moralidade. Depende das sementes que nos incutiram. Depende de nós sermos ordeiros ou destructivos no jogo.

E mesmo que se destrua tudo no jogo. E depois? Não é real. Como quando éramos pequenos a jogar aos policias e ladrões/indios e cowboys.

E eu nunca matei ninguém por isso.

Não, um videojogo não é a causa dum evento, dum incidente. Um videojogo retrata a realidade que o inspirou, essa causa, esse incidente.

Existe portento uma diferença abismal, um extremo de opostos sobre este assunto.

A realidade é que querem impingir ao argumento mais fácil de usar presentemente, as culpas de forma a que ninguém se lembre de que se estão a criar cada vez mais maus pais por via dum total abandono da "moral e bons costumes" que foram ensinados em tempos idos.

Crianças sem moral, sem educação. Sem respeito. Sem amor. Fechadas, num Mundo só seu, para as proteger dum Mundo que as oprime, onde cada vez mais existe menos tempo para elas porque a vida está difícil.

Crescem sem conceitos, sem vigilância. Sem moralidade. Sem conseguir separar o virtual do real, porque para elas, por vezes tocam-se. E quando há armas à mão de semear, dá em certos incidentes.

Mas quando estes psicólogos falam, falam nisto?

Quando estes psicólogos falam, mostram números em que morrem 2 milhões e meio no Ruanda desde 2006 por causa de guerras étnicas?

Ou na Somália, mais de 2000 mortos?

Ou no Cambodja, onde pilhas de opositores ao poder dos Khmers Vermelhos existem em tal número que ninguém sabe quantos mortos existem?

Foi um videojogo que causou isso tudo? Foi?!

Não senhores psicólogos. Mostrem-me números do século XX mortos por videojogos, eu dou-vos números de 2011 anos causados por políticos e religião!

Garanto-vos que para vocês, é Game Over!

http://img24.imageshack.us/img24/6576/o7dzy4ocq.jpg

Sem comentários: